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|---|---|---|
H2-dftre765 |
Fatores Demográficos e Econômicos Subjacentes
A revolta histórica produz normalmente uma nova forma de pensamento quanto à forma de organização da sociedade. Assim foi com a
Reforma Protestante
. No seguimento do colapso de instituições monásticas e do escolasticismo
nos finais da Idade Média
na
Europa
, acentuado pela "
Cativeiro Babilónica da igreja
"
no papado de Avignon
, o
Grande Cisma
e o fracasso da conciliação, assistimos
no século XVI
ao fermentar de um enorme debate sobre a reforma da religião e dos posteriores valores religiosos fundamentais. Este debate passou completamente ao lado de
Portugal
, demasiado distante do foco onde surgiram estes pensamentos. A imprensa, inventada na
Alemanha
por
John Gutenberg
, foi importante na divulgação destas ideias. As 95 Teses de Martinho Lutero |
95 Teses
de
Martinho Lutero
foram imediatamente impressas e divulgadas por todas as regiões de língua alemã, o que contribuiu para a crescente popularidade de
Martinho Lutero
. Não menos relevante foi a influência da pressão social exercida pela
Contra-Reforma
, na qual os
Jesuítas
tiveram um papel de liderança. A
Inquisição
e a censura exercida pela
Igreja Católica
foram igualmente determinantes para evitar que as ideias reformadoras encontrassem divulgação em
Portugal
,
Espanha
ou
Itália
, países católicos. Historiadores assumem geralmente que a incapacidade de reformar (grande número de interesses legítimos, falta de coordenação na coligação dos reformadores) poderia levar a uma grande revolta ou revolução, uma vez que o sistema deverá ser gradualmente ajustado ou então desintegrar-se. O fracasso da conciliação levou à
Reforma Protestante
do ocidente europeu. Estes movimentos reformistas frustrados variam desde o nominalismo, a moderna devoção, ao humanismo, e ocorrem em conjunção com o crescente desagrado perante a riqueza e o poder da elite clerical, sensibilizando a população para a corrupção moral e financeira da
Igreja
.
A Reforma Religiosa e Política
na
Inglaterra
Henrique VIII
O curso da
Reforma
foi diferente na
Inglaterra
. Tinha havido desde há muito uma forte corrente anti-clerical, tendo a
Inglaterra
já tido o movimento
Lollard
, que inspirou os
Hussitas
na
Boémia
. Mas
em cerca de 1520
, no entanto, os
Lollards
não eram já uma força activa, ou pelo menos um movimento de massas.
O carácter diferente da
Reforma Inglesa
deve-se ao facto de ter sido promovida inicialmente pelas necessidades políticas de
Henrique VIII
. Sendo este casado com
Catarina de Aragão | Catarina de Aragão
e estando apaixonado por
Ana Bolena
,
Henrique
solicita ao
Papa Clemente VII
a anulação do casamento. Perante a recusa do
Papado
,
Henrique
faz-se proclamar,
em 1531
, protector da
Igreja
inglesa
. O "
Ato de Supremacia
", votado no
Parlamento
em Novembro de 1534
, colocou
Henrique
e os seus sucessores na liderança da
Igreja
: os súbditos deveriam submeter-se ou então seriam excomungados e perseguidos. Apesar de uma certa deriva em direcção ao luteranismo,
Henrique
reafirma a ortodoxia católica através da "
Confissão dos Seis Artigos
" (
1539
).
Entre 1540 e 1553
, sob
Thomas Cromwell
, a política conhecida como a dissolução dos mosteiros foi posta em prática. A veneração de santos, locais de peregrinação foram atacados. Enormes extensões de terras e propriedades da
Igreja
passaram para as mãos da coroa e posteriormente da nobreza e das classes altas. Os direitos adquiridos foram uma força poderosa de apoio às dissoluções.
Houve muitos opositores da
Reforma de Henrique | Reforma de Henrique
, tais como
Thomas More
e o
Bispo John Fischer
, que foram executados pela sua oposição. Mas também existiu um partido crescente de
Protestantes
genuínos que estavam inspirados pelas doutrinas então correntes no continente. Quando
Henrique
foi sucedido pelo seu filho
Eduardo VI
em 1547
, os protestantes viram-se em ascendente no governo. Uma reforma mais radical foi imposta, com a destruição de imagens e o fecho de capelas, para além de ter sido revogada a "
Confissão dos Seis Artigos
".
Em 1552
, é redigido o novo "
Livro de Orações
" e promulgada a "
Confissão de Fé em Quarenta e Dois Artigos
", que aproximava doutrinalmente a
Igreja de Inglaterra | Igreja de Inglaterra
do calvinismo.
Seguiu-se uma breve reacção católica
durante o reinado de Maria I
(
1553-1558
). De início moderada na sua política religiosa,
Maria
procura a reconciliação com
Roma
, consagrada
em 1554
, quando o
Parlamento
vota o regresso à obediência papal. Porém, as perseguições violentas que move aos não católicos e o seu casamento com
Filipe II de Espanha | Filipe II de Espanha | Filipe II de Espanha
, provocam um forte descontentamento na população.
Um consenso começou a surgir durante o reinado de Isabel I
.
Em 1559
,
Isabel
retorna à religião do pai, com o restabelecimento do "
Ato de Supremacia
" e do "
Livro de Orações
" de
Eduardo VI
. Através da "
Confissão dos Trinta e Nove Artigos
" (
1563
),
Isabel
alcança um compromisso entre o protestantismo e o catolicismo: embora o dogma se aproxime do calvinismo, só admitindo como sacramento o baptismo e a eucaristia, é mantida a hierarquia episcopal e o fausto das cerimónias religiosas.
O sucesso da
Contra-Reforma
no continente e o crescimento de um partido puritano dedicado a estender a
Reforma Protestante
polarizou a
era Elizabetana
, apesar da
Inglaterra
não ter tido
até 1640
lutas religiosas comparáveis às dos seus vizinhos.
Na verdade a
Reforma
na
Inglaterra
procurou preservar o máximo da
Tradição Católica
(episcopado, liturgia e sacramentos). A
Igreja da Inglaterra | Igreja da Inglaterra
sempre se viu como a "eclesia anglicanae", ou seja, "A
Igreja
cristã na
Inglaterra
" e não derivação da
Igreja de Roma | Igreja de Roma
ou do movimento reformista
do século XVI
.
Como consequência disso sempre existiu dois grandes "partidos" ou "facções": a
Igreja Alta
(
High Church
) e
Igreja Baixa
(
Low Church
), que refletem a controvérsia histórica sobre as formas de culto e de expressão.
A
Reforma Anglicana
buscou ser a "via média" entre os extremos romanos e puritanos. Assim aceitam os dois sacramentos do
Evangelho
: o
Santo Batismo
, através do qual a pessoa é feita membro da
Igreja de Cristo
, sendo que tal graça é complementada na
Confirmação
, e na
Santa Comunhão
, que une o cristão ao sacrifício de
Cristo Jesus
que os alimenta com seu corpo e sangue.
Para os anglicanos estes dois sacramentos foram instituídos pelo próprio
Senhor Jesus Cristo
. Os demais ritos sacramentais da
Igreja
também são aceitos, apesar de não terem sido instituídos por
Cristo
, mas são reconhecidos por serem, em parte, estados de vida aprovados nas
Escrituras
: a
Confirmação
,
Penitência
,
Ordens
,
Matrimônio
e a
Unção dos enfermos
.
Embora tenham se afastado de muitas das prática devocionais medievais com relação aos santos e a
Virgem Maria
mantiveram um calendário específico para sua comemoração na
Igreja
, em especial as antigas festas marianas diretamente associadas aos méritos de seu
Filho Jesus Cristo
(
Anunciação
,
Natividade
etc).
| [
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H2-dhy6432 |
Lápis-lazúli , conhecido também como lápis, é uma rocha metamórfica de cor azul utilizada como gema ou como rocha ornamental utilizada
desde antes de 7000 a.C.
em
Mehrgarh
na
Índia
, situado nos dias de hoje no
Paquistão
. A sua azul-escura e opaca, fez com que esta gema fosse altamente apreciada pelos faraós egípcios, como pode ser visto por seu uso proeminente em muitos dos tesouros recuperados dos túmulos faraônicos. É ainda extremamente popular hoje. Trata-se de uma rocha e não de um mineral porque é composto de vários minerais. A primeira parte do nome, lápis, em latim significa pedra. A segunda parte, lazúli, é a forma genitiva no latim, lazulum, que veio do árabe (al)- lazward, que veio do persa lazhward, que veio do sânscrito
Raja Warta
significando anel, vida do rei. Lazúli era originalmente um nome, mas logo veio a significar azul por causa de sua associação com a pedra. A palavra em inglês azure, do azul espanhol e português, e o azzurro italiano são cognatos.
História
No
antigo
Egito
o lápis-lazúli era a pedra favorita para amuletos e ornamentos; foi usado também pelos assírios e pelos babilônicos nos selos cilíndricos (locais onde se gravavam pinturas contando a historia do povo). As escavações egípcias que datam
de 3000 a.C.
continham milhares de artigos como jóia, muitos feitos de lápis. Os lápis pulverizados foram usados por senhoras egípcias como uma sombra cosmética para o olho.
Como inscrito no capítulo 140 do
Livro dos Mortos
egípcio, o lápis lazúli, na forma de um olho ajustado no ouro, foi considerado um amuleto de grande poder.
No último dia do mês
, oferecia-se este olho simbólico, porque se acreditava que, nesse dia, um ser supremo colocou tal imagem em sua cabeça. Os antigos túmulos reais sumérios de
Ur
, situados perto do rio
Eufrates
no baixo
Iraque
, continham
mais de 6000
estatuetas belamente executadas, de lápis-lazúli, de pássaros, cervos, e roedores bem como pratos, grânulos, e selos de cilindro. Estes artefatos vieram indubitavelmente do material minado em
Badakhshan
no norte do
Afeganistão
.
Curiosidades
É a pedra oficial do anel de formatura dos psicologos, assim considerada
a partir de 31 de março de 2006
, pela resolução Nº 002/2006, do
Conselho Federal de Psicologia
brasileiro.
| [
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... |
H2-Ren_2001_6414 |
Uma alteração num único gene é capaz de transformar um vírus inofensivo no agente causador de uma gripe mortal. A descoberta, segundo pesquisadores da
Universidade de Wisconsin-Madison | Universidade de Wisconsin - Madison
(
EUA
), poderá levar à compreensão de como as epidemias da doença surgem e qual a melhor forma de combatê-las.
A equipe liderada por
Yoshihiro Kawaoka
analisou amostras do
H5N1
, o vírus influenza que,
em 1997
, matou
6
das
18
pessoas infectadas, em
Hong Kong
.
Essas amostras foram inoculadas em camundongos e, de acordo com os sintomas apresentados pelos animais, foram divididas em dois grupos.
O primeiro grupo causava uma forma de infecção letal, matando os camundongos, e o segundo provocava apenas problemas respiratórios como sintomas.
Para descobrir a razão dessa diferença,
Kawaoka
usou uma estratégia de "engenheirar" os vírus, trocando genes entre as linhagens virais. Desse modo, conseguiu identificar qual deles era o responsável pela maior capacidade de infecção do influenza.
"Uma mudança de apenas uma base [letra] no gene
PB2
[que resultou na modificação de um aminoácido na proteína por ele codificada] parece ser a causa da virulência do influenza", explica.
Os cientistas ainda não sabem exatamente qual o papel do
PB2
, mas ele parece codificar uma enzima responsável pela indução de um número maior de partículas virais nas células infectadas.
O estudo do grupo de
Kawaoka
está na edição de hoje da revista científica "
Science
".
| [
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H2-Ren_2003_6465 |
Os fragmentos do satélite italiano
Bepposax
mergulharam
na noite de ontem
no oceano
Pacífico
, deixando aliviados os
mais de 30
países _inclusive o
Brasil
_ que estavam sob risco de serem atingidos pelos destroços.
Segundo informou a
ASI
(agência espacial italiana) no fim da noite de ontem por telefone, o impacto dos destroços teria ocorrido
às 18h06
(horário de
Brasília
), numa área remota do oceano. Os italianos não devem conduzir operação para resgatar os detritos.
Estimativas da agência davam conta de que
mais de 40
pedaços, com
até 120 kg
, poderiam resistir ao atrito com o ar e chegar ao solo. A chance de que um dos pedaços atingisse uma pessoa era mínima, mas autoridades de diversos países, inclusive a
Agência Espacial Brasileira
, estavam prontas para qualquer contingência.
O satélite, com massa total de
aproximadamente 1,4 tonelada
, foi construído pelos italianos, em colaboração com a
Holanda
, para o estudo dos raios X vindos do espaço cósmico. O equipamento foi lançado ao espaço
em 1996
, numa órbita baixa (
cerca de 600 km
de altitude) com uma pequena inclinação, ou seja, quase exatamente sobre a
linha do Equador
.
A missão científica da nave foi concluída
em 30 de abril de 2002
. Depois disso, o satélite deixou de ter sua órbita corrigida. O atrito com as camadas mais altas da atmosfera gradativamente diminuiu a altitude, o que culminou com a reentrada,
ontem
. Como a volta à
Terra
não foi realizada de forma controlada (como aconteceu com as
135 toneladas
da estação espacial
Mir
,
em 2001
), era impossível prever exatamente onde os destroços iriam cair.
(SN)
| [
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"... |
H2-EFin |
P: Então tu passaste uma infância muito sozinha?
Bem, na província, às vezes brincava com outros meninos filhos do ... ou doutras pessoas do tribunal, ou da rua, até. Brincava... Ali, em
Alenquer
. Porque depois viemos, voltámos para
Lisboa
, o meu pai esteve então, se não me engano, como ... chefe de gabinete do
Ministro da Justiça
, por isso, voltámos, que era o
dr. Catanho de Meneses
. Voltámos para
Lisboa
e foi quando saímos de
Santa Quitéria
para a
Rua Sampaio Pina
. E na
Rua Sampaio Pina
, que era ao lado do
Rádio Clube Português
, a casa que ainda existe hoje e faz esquina para a rua Castilho
, no primeiro andar, então alugámos essa casa, e aí então é que eu comecei foi a aprender o alemão com uma preceptora alemã, que era... que vinha três vezes por semana, dar-me lição de alemão. Não estava lá em casa, havia preceptoras internas, que estavam dentro, que eram internas, estavam lá, nas casas dos respectivos alunos, mas aquela senhora, a
Kaethe Goethe
, não. Vinha
três vezes por semana
dar-me a lição de alemão.
D: E tu gostavas?
Gostava! Tinha uns livros assim muito engraçados, que ainda
hoje
conheces, que conservo.
D: E ela era professora? Ela era professora mesmo, ou?
Era professora, quero dizer ela veio para
Portugal
dar aulas. Não sei se veio interna para uma casa e depois deixou, estava...
D: Mas enfim, não é uma senhora alemã que dava umas aulinhas para ... para
Não, ela era uma senhora que tinha vindo da
Alemanha
só para ser professora, e tinha... tinha-se instalado numa casa que era o lar das... das professoras de alemão, que havia
nessa altura
, na
Avenida
, perto da
Praça da Alegria
. Lembro-me de ela lá me ter levado e tenho aí até fotografias de um cão, desse dito lar, a querer abraçar-me, coisa que eu não gostei nada, como continuo a não gostar de abraços de cão.
D: Mas já tinhas o
Sirius
...
Não, o
Sirius
veio
muitíssimo mais tarde
. Não, na
Sampaio Pina
não tinha o
Sirius
, não tinha cão nenhum.
D: Então tinhas a tua mãe, como professora de tudo o resto e a senhora
Pois, o resto, tinha grandes amigas sempre. Constante, até era, mais até que as minhas primas... tinha as minhas primas, e tinha a
Joaninha Sampaio e Melo
, que era filha da maior amiga da minha mãe, da
Lourinhã
.
| [
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... |
H2-Ert75 |
Ali, só me lembro de ser eu. Mas talvez houvesse outros, da família
Xara Brasil
, que eram as pessoas ali principais, e eram realmente ... não me lembro. Agora outros meninos em
Lisboa
, ou iam para as piscinas, de
Algés
e
Dafundo | Algés e Dafundo
, e outras coisas assim.
D: Mas conta lá ... como é que aprendeste a nadar, que é engraçado
Aprendi a nadar, como digo, com esse velho lobo do mar que se tinha tornado banheiro da praia de
S. Bernardino
; tinha um chapéu mole assim amachucado, um fato de macaco, e uma cabaça à cintura e ele puxav... agarrava-me assim no queixo, com a mão, e depois dizia-me os movimentos que eu devia fazer, nadar é claro, os bálticos, não é? E foi assim que eu aprendi.
D: ele atirava-te para a água com a cabaça?
Como? Não, a cabaça ele andava ali sempre com ela, como banheiro... era bóia, a cabaça servia de bóia
D: então ele atirava-te à água...
Não, ali à borda de água! à borda, primeiro começava-se à borda de água... mas com altura suficiente para eu já poder nadar. E ele pegava-me assim pelo queixo para me ajudar, e nadava de bruços, claro! nadava de bruços
D: Mas depois... depois... tornaste-te uma grande nadadora
Depois...na dita praia de
S. Bernardino
, e depois na
Praia das Maçãs
, tornei-me uma grande nadadora é uma maneira um bocadinho... como hei-de dizer? pouco rigorosa de dizer. Eu era uma nadadora de muita resistência. De fundo, digamos. Mas sempre com aquele estilo, que passou de bruços para agulha, e que realmente me fazia avançar muito, mas eu não sabia outro estilo, nunca nadei de braçada, crawl...
D: Até longe!
S. Bernardino
não ia longe, mas... na
Praia das Maçãs
ia. Até tão longe que a minha mãe da praia não me via! Só que havia um barco, uma chata... um bocado... entre o sítio onde eu estava e a praia que era para nos mostrar, a mim e ao
Caldeira Pires
, que era... que éramos os únicos que tínhamos essa autorização para ir assim longe numa determinada direcção ... em
S. Bernardino
, a única avaria foi na
Berlenga
, também. Parece que estava fadada para as tais aventuras da
Berlenga
! Porque aí, na
Berlenga
, formos numa excursão organizada pelo ...
Xara Brasil
e por um senhor que era
governador de Peniche | governador de Peniche
ou qualquer coisa assim... ou
presidente da Câmara | presidente da Câmara
, para homenagear uma figura nobre que era um arquiduque austríaco... e fizeram
D: Estava lá?
Estava, estava em
Portugal
, e foi lá parece, casar com uma senhora que era a
rainha da Boémia | rainha da Boémia
e que ... tinha um filho. Mas isto foi muito mais tarde, foi aos
quinze anos
... ou
dezasseis
, porqu nós fomos. Não íamos nunca seguidamente para um sítio, não é? ìamos um aano para uma praia, outro ano para outra...
D: Ah, nunca iam para o mesmo sítio...
Não. Foi por isso que o meu pai nunca aceitou fazer uma praia na
Areia Branca
!Porque ele tinha tido a possibilidade de comprar terreno baratíssimo e fazer a segunda casa da
Areia Branca
! Ele não queria um sítio fixo que o obrigasse a...
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H2-bbb |
HEIDEGGER
e o 4-4-2: Foi,
ontem
, apresentado o livro «
Liderança - As Lições de José Mourinho
» de
Luís Lourenço
, baseado na sua tese de mestrado. Segundo o autor,
José Mourinho
"é diferente por partir de um novo paradigma de pensamento, preconizado por
Heidegger
ou
Morin
, por exemplo, e o operacionalizar. Trata-se de um novo olhar para o
Todo
, que põe de parte a divisão e análise das partes e o pensamento cartesiano
de há quatro séculos
". Cada vez que leio isto (e faço-o
várias vezes ao dia
, na esperança de o vir a compreender), gosto de imaginar a seguinte conversa entre dois adeptos, à saída de
Stanford Bridge
:
- Eh pá, o
Chelsea
não merecia ter empatado este jogo.
- Pois não. Mas a primeira parte foi tão má que parecia que o
Mourinho
não tinha lido «
O Ser e o Tempo
».
- Quantas vezes é que o
Heidegger
avisou que o 4-4-2 só resulta se o trinco compensar a subida dos laterais?
- Exacto. Meu amigo, se é para ver a nossa equipa voltar ao pensamento cartesiano, não contes mais comigo para vir ao estádio.
- Calma. Também tens que perceber que estava nevoeiro. Se calhar, por isso é que, durante a primeira parte, o
Mourinho
não conseguiu ver o
Todo
.
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H2-gt654 |
FAZER A FESTA, LANÇAR OS FOGUETES E APANHAR AS CANAS: Ao que parece,
Paulo Pinto Mascarenhas
tem a convicção firme de que certa personagem que interpretei está a falar com ele. A generalidade dos malucos ouve a voz de
Jesus Cristo
;
PPM
ouve a minha. Enfim, cada um tem a
Alexandra Solnado
que merece e, mesmo sendo ateu, parece-me mais do que justo que eu tenha pior sorte que o
Messias
.
Talvez seja bom explicar o que se passa. O povo português tem tido, até agora, a decência de não delegar em
PPM
qualquer espécie de poder. Mas a verdade é que o povo português não tem sido tão sensato no que respeita a outras pessoas. Eu sei que esta notícia vai cair como uma bomba no
31 da Armada
, mas há gente um pouco mais poderosa do que o
PPM
. É uma coisa muito ligeira, mas tem, de facto, um bocadinho mais de poder. E essa gente, quando se sente atingida, ou quando sente que os amigos foram atingidos (mesmo que seja por uma rábula humorística), pressiona, corta relações com a estação de televisão em que a rábula foi emitida, manda recados com ameaças, faz saber que ficará à espera de uma oportunidade para nos fazer, digamos, coisas bonitas (sempre que posso, uso expressões de
Artur Jorge
). É isso que tem acontecido desde que o
Diz Que É Uma Espécie de Magazine
começou e foi o que aconteceu agora, de forma bastante mais intensa, na sequência do sketch sobre
Marcelo Rebelo de Sousa
.
Em tempos
, o
Herman
disse-me que o pequeno poder (e,
às vezes
, não tão pequeno como isso) sabe encontrar maneiras de pressionar no sentido de fazer censura sem sujar as mãos, de ameaçar sem poder ser denunciado, de intimidar sem aparecer. Na semana passada percebi isso melhor do que gostaria, e dei-lhe razão.
Decidimos fazer uma rábula sobre esta espécie dissimulada de censura.
Ontem
, uma jornalista do
DN
perguntou-me se tínhamos sido pressionados pela
RTP
e pelo
Provedor do Espectador
. Respondi que não, e não menti. Da
RTP
e do
Provedor do Espectador
, não veio qualquer espécie de pressão. Quem sobra? No entender do
PPM
, sobra ele e um post que escreveu no
31 da Armada
. Fizemos uma rábula para um milhão e meio de espectadores por causa de um post do
PPM
no
31 da Armada
. Mandei uma mensagem ao
Herman
a dar-lhe razão por causa de um post do
PPM
no
31 da Armada
. E dei-lhe razão porque, como é óbvio, foi para isso que ele me advertiu. «Põe-te com brincadeiras e vais ver que,
um dia destes
, o
PPM
faz um post sobre ti no
31 da Armada
», foram as palavras exactas dele. «Tinha razão,
Herman
», disse-lhe eu agora.
Há, no meio disto tudo, um pormenor que pode intrigar o leitor. Se eu já interpretei tantas personagens apalermadas e de discurso incoerente, porque é que o
PPM
só se sentiu retratado agora? Boa pergunta, leitor. Vagamente insultuosa, mas boa. Eu respondo: por duas razões. Primeiro, porque quando eu disse que a
RTP
e o
Provedor
não nos tinham pressionado, a jornalista tirou conclusões que não são as minhas. Segundo, porque a crítica do
PPM
segue, digamos, a mesma matriz ideológica que o pequeno poder (e,
às vezes
, não tão pequeno como isso) perfilha. Aliás, a crítica do
PPM
não é nova, nem é só dele. Já tinha sido usada para pedir a nossa imparcialidade em relação a
Salazar
e
Cunhal
. Ou em relação a
Pinto da Costa
e
Luís Filipe Vieira
. Ou em relação à
Floribella
e à
Doce Fugitiva
. Mas dizem-me que é intelectualmente desonesto falar nisto.
Parece que o que é intelectualmente honesto é dizer que um programa humorístico de sátira social e política deve ser imparcial (argumento espantoso). Ou dizer que criticar o
prof. Marcelo
é fazer campanha pelo
Sim
. O próprio
prof. Marcelo
diz que foi criticado por muitos defensores do
Não
o que só pode significar que, pelos vistos, há gente do
Não
a fazer campanha pelo
Sim
.
PPM
, referindo-se ao sketch sobre o
prof. Marcelo
, diz que, «em plena campanha eleitoral» quisemos ´ridicularizar os argumentos de um dos lados em confronto no referendo». Primeiro, o
prof. Marcelo
não representa o
Não
. Ele mesmo, aliás, afirma que há vários
Nãos
. Segundo, a nossa rábula sobre o
prof. Marcelo
foi transmitida
no domingo, dia 28 de Janeiro
. A campanha começou
na terça-feira, dia 30
. Dizer que fizemos o sketch «em plena campanha eleitoral» é, portanto, uma... Bom, parece-me que não há maneira delicada de o dizer: é mentira.
Não posso deixar de fazer referência às últimas palavras de
PPM
, que me parecem interessantes: «
Ricardo Araújo Pereira
pode dizer que não me conhece de lado nenhum, como disse ao
24 Horas
. Pode, mas estará a faltar à verdade se o repetir em relação ao
Rodrigo Moita de Deus
.» Quero agradecer, penhorado, que
PPM
me autorize a dizer o que eu disse. Já é mais do que costuma fazer, e registo a evolução democrática. Agradeço ainda mais que me ponha de sobreaviso em relação à veracidade do que eu não disse mas, por uma razão que neste momento me escapa, poderei vir a dizer.
Uma nota final: estou muito habituado às críticas do
PPM
, que têm, aliás, sempre o mesmo sentido. Normalmente, comento-as aqui mesmo. Na televisão e na imprensa, costumo satirizar gente que a generalidade do público conhece, e que diz coisas ridículas. Enquanto o
PPM
continuar a preencher apenas um destes requisitos, pela minha parte também continuarei a responder-lhe apenas aqui no blog. Por isso, e para evitar confusões futuras, gostava de sublinhar o seguinte: se, um dia, eu interpretar uma personagem megalómana, moralista e que mente para fazer valer os seus argumentos, o mais provável é que eu não esteja a satirizar o
PPM
. Há mais
Marias
na
Terra
.
RAP
| [
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"type": "INDIVI... |
Ntyr-78 |
CCB 15 ANOS
| UM PRESENTE AOS ESPECTADORES
Com um grande concerto realizado ao ar livre, na
Praça do Museu
,
no dia 21 de Março de 1993
, o
CCB
iniciava,
há quinze anos
, a sua actividade como centro de produção e apresentação de espectáculos e exposições o maior de
Portugal
. O
Grande Auditório
viria a ser inaugurado
seis meses depois
,
a 22 de Setembro
, com um recital da soprano catalã
Montserrat Caballé
, enquanto o
Pequeno Auditório
abrira as suas portas
em Junho
com um espectáculo do violoncelista
Anner Bylsma
.
Neste arco temporal de 15 anos | de 15 anos
, o
CCB
apresentou ao público de
Lisboa
artistas tão diversos como
Sviatoslav Richter
e
Cecilia Bartoli
,
Pina Bausch
et
Pippo Delbono
,
Peter Brook
e
Jordi Savall
,
Philip Glass
et
Keith Jarrett
, a
Royal Shakespeare Company
e o
Piccolo Teatro di Milano
,
Robert Lepage
e a companhia
Cheek by Jowl
, a companhia de ópera do
Teatro Mariinski
de
S. Petersburgo
e
The Wooster Group
. Aqui se estrearam os
The Gift
, aqui actuaram
Maria João Pires
e
Bernardo Sassetti
, aqui se apresentaram os
Madredeus
e
GNR
,
Sérgio Godinho
e
Luís Represas
,
Jorge Palma
e
Mariza
. Os visitantes do
CCB
puderam ver nestes anos exposições de
Roy Lichtenstein
e
Frida Kahlo
, de
Robert Rauschenberg
e de
Paula Rêgo
, de
Antoni Tàpies
e de
Helena Almeida
, de
Júlio Pomar
e de
Sabine Hornig
, de
Candida Höfer
e de
Sebastião Salgado
, de
Aleksander Rodchenko
e de
Louise Bourgeois
.
Durante estes anos de viragem do século, o
CCB
acolheu alguns dos maiores espectáculos apresentados em
Lisboa
, tornando-se um dos equipamentos culturais de referência do país e um parceiro crescentemente procurado por insituições culturais internacionais. O balanço desta década e meia de actividade praticamente ininterrupta (o
Centro
só fecha
no Dia de Natal
) mede-se pela frequência diária de centenas de pessoas, que habitam os espaços de estudo e lazer do
CCB
, além dos muitos milhares que ferquentam as suas actividades.
Em 2006
,
150.000
pessoas assistiram a espectáculos,
200.000
visitaram as exposições,
90.000
frequentaram reuniões e congressos,
20.000
crianças participaram em actividades de pedagogia e animação.
É por isso que as comemorações dos 15 anos
de actividade do
CCB
, que decorrerão
ao longo do ano de 2008
, vão ser especialmente orientadas para o público que fez do
CCB
um equipamento indipensável na vida cultural da cidade. Não editaremos álbuns auto-congratulatórios nem promoveremos grandes jantares de celebração; não lançaremos fogo de artifício nem nos envolveremos em extravagâncias de programação que estariam para lá da nossa dimensão e recursos. Investiremos tudo o que está ao nosso alcance para tornar a programação de espectáculos
de 2008
mais acessível aos frequentadores do
CCB
.
Assim, um conjunto de espectáculos programados para o
Grande Auditório
foi escolhido para integrar a série
CCB 15 Anos, em que o leque de preços se situa em média
30%
abaixo dos preços normalmente praticados para espectáculos semelhantes, mantendo-se além disso os descontos habituais. Mais: nos casos em que isso seja tecnicamente possível, os lugares de
Galeria
(em pé, por vezes com visibilidade reduzida) serão postos à venda ao preço único de
5 EUR
(estes naturalmente sem desconto), permitindo que toda a gente tenha acesso aos espectáculos de maior atractividade para o público.
As comemorações terão assim início já
em Dezembro
, com a apresentação da
Oratória de Natal
de
J. S. Bach
|
Oratória de Natal de J. S. Bach
pela
Akademie für Alte Musik
e o
RIAS Kammerchor
de
Berlim
, para a qual o preço dos bilhetes varia entre os
5
(
Galerias
) e os
25 EUR
(
1ª Plateia
);
em Janeiro
, a ópera visual Operação Orfeu, apresentada pela companhia dinamarquesa
Hotel ProForma
, será também um espectáculo
CCB 15 Anos
(bilhetes
entre 15 e 20 EUR
):
CCB 15 Anos
será também o ciclo de piano
Beethoven 2008
(cinco recitais com o preço único de
15 EUR
por concerto). E
em Fevereiro
haverá três espectáculos integrados nas comemorações : o concerto do quinteto de
Enrico Rava
, um dos maiores trompetistas de jazz da actualidade, oferecerá preços
entre os 5 e os 20 EUR
; as duas récitas da coreografia de
William Forsythe
Impressing the Czar, pelo
Ballet Real da Flandres
, terão bilhetes
entre 5 e 30 EUR
; e a
Carta Branca a Jorge Palma,
no último dia do mês
, propõe entradas
entre 5 e 20 EUR
.
Mas a festa vai continuar
ao longo do ano de 2008
. Cada edição do
Programa de Actividades
assinalará com o selo
CCB 15 Anos
os espectáculos integrados nesta oferta especial. E contamos com todos, nesta comemoração de uma data que deve ser pretexto para uma renovação da nossa ligação com o público que connosco habita, todos os dias,
de há 15 anos para cá | de há 15 anos para cá
, o
Centro Cultural de Belém | Centro Cultural de Belém
.
| [
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gtqqq |
NOME: COLETIVOS, SENHA: COLABORAÇÃO
Ricardo Rosas
A recente onda dos coletivos artísticos e ativistas (ou "artivistas") no
Brasil
tem chamado a atenção da mídia mainstream para um fenômeno de proporções bem maiores e razões mais profundas que a vã filosofia dos cadernos culturais poderia imaginar. Pouco compreendida, a dinâmica destas articulações chega assim maquiada com um verniz espetaculoso e superficial que, ao que parece, tenta esconder o pano de fundo crítico e instrumental desses grupos. Muitas vezes passageiros como um casual flashmob, outras vezes organizados e duradouros como uma associação, tais ajuntamentos são na verdade indícios de uma mutação maior que está se dando tanto na esfera tecnológica quanto na social.
Coletivos, em si, nada têm de novo. Já são uma tradição na arte, na literatura, que percorreu
todo o século vinte
, aqui como lá fora. Segundo o historiador de coletivos artísticos
Alan Moore
(1) , seu ponto de partida foi logo após a
Revolução Francesa
, com os estudantes de
Jacques-Louis David
, os barbados, ou "
Barbu
", que formaram uma comunidade criativa que viria a ser chamada de
Boêmia
, espécie de nação imaginária espiritual de artistas -cujo nome provinha de uma nação de verdade e geraria a idealização do estilo de vida "boêmio"-, compondo um contraponto à academia oficial.
Desde então, o fenômeno tem ocasionalmente se repetido ao longo da história da arte, como o
Arts and Crafts
na
Inglaterra
vitoriana, dadaístas, situacionistas,
Fluxus
, numa lista quase infinita de grupos dos mais diversos tipos. No
Brasil
, eles remontam
ao século dezenove
, com o grupo dos românticos em
São Paulo
, os grupelhos de poetas simbolistas, os modernistas
da década de 1920
, o grupo antropofágico, os concretistas
nos anos 1950
, o coletivo
Rex
de artistas
na década seguinte
,
3Nós3
e
Manga Rosa
na década de 1970
,
Tupi Não Dá
, ou os mais recentes
Neo-Tao
e
Mico
, entre inúmeros outros.
O que diferencia a atual voga de movimentações coletivas no
Brasil
são o caráter político de boa parte delas, assim como o uso que muitas fazem da internet, seja via listas de discussão, websites, fotologs e blogs ou simplesmente comunicação e ações planejadas por e-mail.
Na
Europa
e nos
EUA
, a fusão de arte e política já estava presente nos dadaístas e surrealistas, e representou o ponto fundamental dos situacionistas no pós-guerra, e desde então
essa mescla tem se dado em vários grupos que atuam na fronteira ativismo/arte, como o
Arte & Linguagem
,
Art Workers Coalition
,
Black Mask
, neoístas,
Gran Fury
,
Group Material
,
PAD/D
,
Guerrilla Girls
, ou os mais recentes
Luther Blissett Project
,
RTmark
,
Etoy
,
Critical Art Ensemble
, boa parte destes últimos atuando diretamente com alta tecnologia, no que se tem atualmente denominado de mídia tática.
Se essa junção sempre esteve presente lá fora, o atual beco sem saída do neoliberalismo parece haver despertado a consciência de vários grupos no
Brasil
, que passaram a criar fora das instituições estabelecidas com performances, intervenções urbanas, festas, tortadas, filmagens in loco de protestos e manifestações, ocupações, trabalhos com movimentos sociais, culture jamming e ativismo de mídia. À diferença dos coletivos high tech europeus e americanos, os coletivos brasileiros atuam nos interstícios das práticas tradicionais da cultura instituída, em ações até agora de um víes mais low tech.
Mesmo assim, a maioria deles surgem ou agem graças à internet. Alguns, como o
Expressão Sarcástica
,
Vitoriamario
,
Poro
,
TEMP
,
BaseV
, ou
Cocadaboa
, possuem seus próprios sites. Outros, como o
CORO
, um grupo que pretende mapear todos os coletivos em ação no
Brasil
, ou a
Universidade do Fora
, entre outros, funcionam com lista de discussão. Blogs também hospedam grupos com identidade virtual à
Luther Blissett
, como o
Ari Almeida
ou
Timóteo Pinto
, enquanto os fotologs tem servido como meio de divulgação de coletivos como o
Radioatividade
, ou grupos do stencil e do sticker (adesivo) como
Faca
,
Coletivo Rua
,
SHN
, entre dezenas de outros.
Se a tecnologia não é fundamento básico destes grupos para ações tipo hacktivismo, net arte ou similares, é por meio dela, contudo, que se dá a dinâmica de ação e propagação das atividades destes grupos na vida real. Pois uma palavra-chave de todos estes coletivos é a colaboração. Espécie de buzzword atualmente, a colaboração, bem como termos irmãos como livre cooperação, comunidade, interação e rede são senhas para uma transformação que está se dando em escala global.
Foi a colaboração que permitiu o surgimento de movimentos massivos como os protestos "anti-globalização", bem como a organização de festas-protesto como as do
Reclaim the Streets
, ou ainda a publicação aberta da rede
Indymedia
. A divisão de tarefas, o compartilhamento de valores e a liderança coletiva caracterizam em grande parte essas organizações cuja tradução mais exata é a filosofia do open source.
Inicialmente restrita ao círculo de programadores e geeks, a idéia da criação coletiva e distribuída que caracteriza as comunidades
Linux
e software livre tem virado fonte de inspiração para grupos os mais diversos que estão se voltando para este modo de trabalho como um modelo viável e menos restritivo, não-hierárquico.
Tive recentemente a oportunidade de participar de uma conferência sobre o tema na
universidade de
Buffalo
,
NY
. Chamada "
Redes, arte e colaboração
" ("
Networks, art and collaboration
"), e organizada pelo artista e professor de novas mídias
Trebor Scholz
e por
Geert Lovink
, net crítico e teórico de mídia tática, a conferência teve o mérito de reunir diversos ativistas, teóricos e artistas que trabalham colaborativamente, e pautou por abordar diversas facetas da questão, como o conflito com os interesses financeiros das grandes instituições do capitalismo, os conflitos internos dentro da dinâmica coletiva, ou as diversas iniciativas em áreas que vão das artes à educação, da criação em rede à distribuição livre de conhecimento.
O tema é quente o bastante para gerar
semanas
de debates acalorados, mas aqui se limitou
a um final de semana
onde se sucederam mesas abertas, performances e apresentações de projetos. Teóricos e historiadores de arte ativista em coletivos como
Gregory Sholette
,
Alan Moore
e
Brian Holmes
, grupos como
Critical Art Ensemble
e
Guerrilla Girls
, net críticos como
McKenzie Wark
, ou o teórico maior da colaboração online, o alemão
Cristoph Spehr
, estiveram presentes.
Spehr
, autor do cultuado livro
Die Aliens sind unter uns! |Die Aliens sind unter uns!
("
"Os alienígenas estão entre nós!
"), tem servido como o melhor tradutor da mecânica funcional do código aberto (open source) para o campo da política, da organização social, e da economia.
Entre alguns pontos fundamentais,
Spehr
defende a noção de que as relações devem se basear na liberdade e igualdade de uns para com os outros e com a cooperação; que regras devem ser estabelecidas, negociadas (e cumpridas) para que a cooperação funcione; que conflitos que surjam ao longo dessas negociações podem construir o respeito mútuo, a independência na cooperação e nos tornar mais fortes; e que organização, lealdade para com as pessoas, não com as instituições, e auto-confiança, são elementos essenciais.
Em seu livro, num estilo que remixa ensaio e ficção científica, grupos colaborativos independentes e autônomos seriam os grandes monstros que ameaçam o atual estágio do neo-liberalismo corporativo. Espécie de alienígenas no meio da lógica capitalista da competitividade e das redes de "cooperação forçada", os coletivos colaborativos autônomos atuam numa esfera que transcende a mercantilização e podem efetuar uma troca auto-sustentável que, se aplicada em larga escala - o que para muitos é pura utopia - , correria o risco de transformar totalmente a paisagem social, econômica e política do planeta. Comunismo open source? Talvez, pelo menos é o que
Spehr
acredita, com um otimismo desafiante, o mesmo que o faz organizar a conferência anual "
Out of This World
em
Bremen
, onde junta programadores, ativistas, escritores de ficção científica, filósofos e teóricos para debater a aplicação do código aberto à transformação social visando o futuro.
Por outro lado, o capitalismo há muito já aprendeu a trabalhar em rede. O fenômeno dos coletivos de livre cooperação na esfera artístico-ativista encontra seu paralelo nos grupos criativos de trabalho descentralizado e flexível produzindo para o mercado. Como diz o teórico
Brian Holmes
num ensaio sobre a questão (2), esse tipo de organização característica da produção imaterial no atual estágio capitalista do pós-fordismo, seria o da "personalidade flexível", adaptativa e versátil em sua atuação profissional, a qual, obviamente não excluiria sob hipótese alguma a competição ou o controle pela vigilância, ainda que à distância. Para combatê-la, só um ativismo "flexível" que, mesmo por sua característica cooperativa e autônoma, se adaptasse à configuração de um mundo cada vez mais baseado em redes, distribuído em setores terceirizados, "aparentemente" independentes.
Em se tratando da internet, o crescente uso das redes de compartilhamento peer-to-peer, weblogs, software livre, listas de discussão, publicações abertas tipo slashdot, wiki ou
Indymedia
, as bibliotecas online de livre acesso, foruns e todas as outras formas operacionais das comunidades na rede estariam abrindo o caminho para essa transformação pelo trabalho colaborativo que os ativistas e coletivos de hoje usam como tática de resistência e cuja disseminação compartilhada podem ter consequências ainda imprevisíveis.
Como diz
Geert Lovink
em seu último livro,
My First Recession
, a cultura da internet "é um meio global no qual redes sociais são moldadas por uma mistura de regras implícitas, redes informais, conhecimento, convenções e rituais coletivos" (3). Procurar entender o atual fenômeno dos coletivos ignorando essa dinâmica de código e cultura, ou seja, modus operandi, instrumentos, ativismos e lutas democráticas face a uma crescente repressão na guerra global do capital, equivaleria a esquecer por completo a senha na hora de logar. Esqueceu sua senha?
| [
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... |
hjlll |
Associação Académica de Coimbra | Associação Académica de Coimbra
A
Associação Académica de Coimbra | Associação Académica de Coimbra
(
AAC
), fundada
a 3 de Novembro de 1887
, é a mais antiga associação de estudantes de
Portugal
. Representa os
cerca de 20 000
estudantes da
Universidade de Coimbra | Universidade de Coimbra
, que são automaticamente considerados seus sócios quando se encontrem inscritos nesta universidade.
A
AAC
alberga uma série de secções culturais e desportivas. Entre as secções culturais pontificam, o
Centro de Estudos Cinematográficos
(
CEC
) que realiza anualmente o
Festival "
Caminhos do Cinema Português
" |
Festival "Caminhos do Cinema Português"
, a
Rádio Universidade de Coimbra
(
RUC
), a
Secção de Jornalismo
(que edita o jornal universitário "
A Cabra
"), a secção de fado, o
Grupo de folclore e etnografia | Grupo de folclore e etnografia
(
GEFAC
) e os grupos de teatro (
TEUC
e
CITAC
). As secções desportivas abrangem um vasto leque de desportos, tais como o futebol, andebol, basquetebol, rugby, conoagem, natação, voleibol, ténis, artes marciais e xadrez, entre outros. A "
Académica
" é assim o "clube" mais eclético do pais, uma vez que "pratica" o maior número de modalidades.
Também referido como "
Académica
", o clube de futebol profissional mais conhecido de
Coimbra
, de seu verdadeiro nome
Associação Académica de Coimbra - Organismo Autónomo de Futebol
(
AAC-OAF
), é considerado o herdeiro da secção de futebol da
AAC
(que se mantém na pratica amadora), mas é hoje um clube independente, cuja ligação com a
AAC
é cada vez mais ténue.
A
AAC
é dirigida pela
Direcção Geral
(
DG
), composta por estudantes, e eleita anualmente
entre Novembro e Dezembro
em eleições abertas a todos os sócios, tanto estudantes como os sócios seccionistas. À
DG
compete a administração da
AAC
bem como a representação política dos estudantes. Em termos políticos, é ainda de referir a importância das
Assembleias Magnas
, assembleias sobretudo de discussão da política da
Academia
, abertas a todos os sócios, cujas decisões têm de ser obrigatoriamente cumpridas, independentemente da opinião da
DG
. Este poder decisório da
Assembleia Magna
torna-a no palco de discussões acesas, sobretudo entre os estudantes politizados.
No passado recente, tem havido no mínimo
5-6
Assembleias Magnas
por ano
, com participação oscilante, mas um mínimo de
cerca de 200
sócios. Infelizmente, a falta de interesse generalizado por estas questões na nossa sociedade, particularmente nas faixas etárias mais jovens, faz-se reflectir na fraca participação das
Assembleias Magnas
[carece de fontes?]. No entanto, a
AAC
continua a lutar para pautar a política educativa do
Ensino Superior
em
Portugal
[carece de fontes?]. O actual edifício da
AAC
foi inaugurado
em 1961
e alberga praticamente todas as secções da
AAC
, estando integrado num quarteirão que inclui ainda uma sala de espectáculos (Teatro Académico de Gil Vicente) e um complexo de cantinas.
| [
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cver |
Uma nação de pedintes
O
PRESIDENTE Sarkozy
abriu a
Conferência de Dadores
realizada em
Paris
com uma frase grandiloquente sobre a necessidade urgente de criar um
Estado palestiniano
no fim de 2008
. O
Presidente
ou é mentiroso ou finge-se ignorante, ou as duas coisas. Depois do falhanço esperado da cimeira de
Annapolis
, um modo de
Condoleezza Rice
salvar a face e de a
Administração | Administração americana
e a
Europa
continuarem a fingir que estão interessadas em resolver o conflito israelo-palestiniano e de lavarem as mãos de tudo o resto,
Sarkozy
não pode ignorar que o momento para pronunciamentos débeis é o menos adequado.
Tony Blair
, depois de ter minado todo o processo de paz do
Médio Oriente
ao ordenar a invasão do
Iraque
de braço dado com
Bush
, continua a emitir piedades deste género, e diz que está na altura de resolver o problema e que ele pode ser resolvido.
Blair
não sabe o que diz.
A verdade é que não pode ser resolvido, já não pode, e não pode justamente nesta fase, quando os palestinianos têm não um mas dois governos e dois territórios, um ocupado pelos israelitas, a
Cisjordânia
, outro abandonado pelos israelitas e bombardeado pelos israelitas,
Gaza
.
Anos e anos
de destruição compulsiva de interlocutores, alguns moderados, e de opressão, fizeram do povo palestiniano uma nação de pedintes.
Gaza
subvive das esmolas iranianas, sauditas e dos
Emiratos
, e a
Cisjordânia
subvive de doações da
Europa
, da
América
, de
Estados árabes
e das
Nações Unidas
. Nenhuma nação palestiniana pode aspirar a ser um
Estado palestiniano
, e um país viável, sem unidade do território e do povo, e sem soberania sobre esse povo e esse território. No terreno, temos a pior situação de sempre. O
Hamas
a mandar em
Gaza
, e a
OLP
a fingir que manda na
Cisjordânia
.
Sarkozy
, e
Blair
, e os europeus, sendo a
Europa
o maior dador de dinheiro para os palestinianos e já vamos ver porquê, não podem desconhecer que nem
Mahmoud Abbas
é um chefe com apoio popular na
Cisjordânia
nem a
OLP
, dominada pela
Fatah
, tem apoio popular em
Gaza
. Se realizassem eleições na
Cisjordânia
,
Abbas
e um grupo de agentes corruptos disfarçados de "moderados" não as ganhariam, e não as ganhariam nas cidades onde o
Hamas
ganhou.
Abbas
pode fingir mandar em
Ramallah
e na clientela privilegiada de uma organização que não soube constituir-se como fonte legítima do poder palestiniano, não pode fingir que é considerado em
Jenin
e
Hebron
, em
Nablus
e
Tulkarem
, em
Jericó
e
Jerusalém Oriental
.
Abbas
, arrastando-se aos pés dos chefes europeus a mendigar uns milhares de milhões de dólares enquanto insulta o
Hamas
e aceita que os palestinianos de
Gaza
sejam colectivamente punidos pelo embargo israelita e pela recusa americana e europeia de incluir o
Hamas
no processo de paz é visto como uma marioneta do
Ocidente
e um traidor. Os israelitas sabem isto melhor do que ninguém porque são os que melhor conhecem a quimera do road map.
Israel
, sabendo que não pode devolver a
Cisjordânia
, desmantelar os colonatos, prescindir da
Ocupação
sem comprometer a sua segurança, dividir
Jerusalém
ou ceder a pretensões sobre o regresso de milhões de refugiados (que nunca poderão regressar), está interessado em manter as ficções americanas e europeias e administrar a
Ocupação
e a relação de forças, como a sua supremacia militar assegura. O
Hamas
está interessado, simetricamente, em administrar a resistência.
Israel
só seria obrigado a ceder se os
Estados Unidos
deixassem de apoiar e de vender milhares de milhões de dólares de armas aos israelitas, e
Israel
sabe que isso nunca acontecerá, por razões da política interna americana e da força do lobby judeu. Nenhum candidato democrata, nem mesmo o utópico
Obama
, ousariam modificar este estado de coisas.
A posição da
Europa
, dando milhares de milhões que a dispensem de contribuir para uma resolução política, é a mais contraproducente. A
Europa
prefere pagar para não ser incomodada, e prefere transformar, como transformou, os palestinianos numa nação de pedintes. A velha e cínica
Europa
, origem de todo este problema, a assassina
Europa
como lhe chama o escritor israelita
Amos Oz
, sabe que não pode contrariar os
Estados Unidos
e não quer contrariar os israelitas por má consciência. Sabe também que os palestinianos são um povo espoliado, banido, revoltado e oprimido, e que parte da responsabilidade histórica dessa opressão lhe pertence. Como contribui para o problema sem contribuir para a solução, a
Europa
adoptou um discurso de duplicidades e subentendidos, de fraquezas e recuos, de que o
senhor Javier Solanas
é o exemplo acabado. A rematar o discurso, a
Europa
passa cheques. Os palestinianos habituaram-se a explorar esta fraqueza a seu favor e transformaram a sua reivindicação numa vitimização que lhes dá direito, de tanto em tanto tempo, a uma compensação monetária. Muitos milhões acabam, como no tempo de Arafat, em contas secretas e nos bolsos de uma oligarquia. Tanto dinheiro não chega para comprar os palestinianos que não estão à venda. Os palestinianos vêem o
Muro
entrar-lhes pelas vidas dentro, vêem a sua destituição transformada em humilhação, e votam
Hamas
ou
Jihad Islâmica
. Em
Gaza
, as crianças querem ser mártires. E sem
Gaza
, não haverá
Palestina
.
Clara Ferreira Alves
| [
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2ght33 |
A MÚSICA É A MENSAGEM
Por
Hari Kunzru
A relação do tecno com o binômio homem-máquina, no diálogo com
Jeff Mills
, o legendário produtor de tecno de
Detroit
nos leva a impressionantes insights do impacto que a terceira onda tem causado na paisagem contemporânea.
Detroit
, essa "cidade portátil", virtualizada na minimalista batida de um sequenciador automático, profetiza em sua música - que já nos deu a
Motown
,
Stooges
, e
MC5
- o zeitgeist
deste início de milênio
.
Uma Cidade Difícil
Detroit
tem
por longo tempo
sido um lugar de referência na imaginação sônica. Com o fim da escravatura, ela se tornou, como
Chicago
, um das estações ferroviárias do êxodo negro na direção do norte. As ferrovias atuavam como artérias culturais, trasmitindo pessoas e formas culturais do profundo sul de
New Orleans
e o rural
Delta do Mississipi
, pelo centro-oeste e para o iluminado mundo novo urbano dos
Grandes Lagos
. No processo o som acústico do
Blues do Delta
|
Blues do
Delta
foi exposto ao ruído das linhas de produção industrial, e se transmutou no boogie de trem a vapor, de chão de fábrica do
Rythm'n'Blues
elétrico. O
Blues de Basin Street
|
Blues
de
Basin Street
vira a
Pegada da Cidade Motor
(
Motor City Stomp
). Quando do boom
dos anos sessenta
,
Detroit
era sinônimo das esperançosas ficções-soul
de três minutos
da
Motown
, um selo cuja ética produtivista e apelo de mercado massificado foi sempre um irônico espelho da cultura da
Ford
e da
General Motors
que dominava as vidas de seu jovem público negro. O povo da
Motown
deu seus primeiros passos dançando nas ruas, mas, à medida que
os 70
iam passando, eles foram gradualmente reduzidos a viver só para a cidade.
Durante os desolados anos Reagan | Durante os desolados anos Reagan
,
Detroit
parecia uma zona morta, um símbolo do fim da velha ordem industrial. Mas
pelo começo dos noventa
a decadente cidade, tendo absorvido o trauma da crise do petróleo e a recessão mundial, reinventou-se como o imaginário e sombrio coração de uma nova cultura urbana global.
O tecno de
Detroit
é o som da cidade. Não das pessoas da cidade, mas da própria cidade. Os humanos, se eles ainda estão vivos mesmo, foram totalmente cooptados pela máquina urbana, absorvidos em seus processos, seus corpos disciplinados pelos ritmos implacáveis dela. Não é exagero dizer que este estilo, com seus frios tons sintéticos e batidas rápidas e rígidas de quatro-por-quatro teve provavelmente mais influencia no tipo de música que soa pelo mundo do que qualquer outro gênero desde o
Blues
.
Transmissões do Futuro:
A síntese de
Detroit
de grooves de trance funk e futurismo disco europeu foi realizada por um surpreendentemente pequeno círculo de produtores, que começaram seus experimentos
em meados dos 80
. As estórias de
Cybotron
,
Model 500
e a transição da disco para o eletro-funk para o tecno foram muito bem contadas em outras paragens por escritores como
Matthew Collin
(
Altered State
) e
Kodwo Eshun
(
More Brilliant Than The Sun: Adventures In Sonic Fiction
). Um dos pioneiros foi
Jeff Mills
, que, como produtor e DJ, tem semeado o som de
Durban
a
Tóquio
, e a ele não se deveria atribuir pouca responsabilidade pelo fato de que seres urbanos de todo o mundo agora vivam numa paisagem midiática onde enxutas batidas eletrônicas servem como trilha sonora para tudo, desde idas ao shopping e suas experiências com drogas, a noites em casa em frente da tv.
Mills
é um homem calmo, um tipo parecido com um pássaro, com uma cara ossuda e longos dedos. Quando está na cabine ele usa três picapes, raramente tocando um vinil
por mais de um minuto
, e
frequentemente
abrindo todos os três canais ao mesmo tempo; filtrando o som, logo uma picape toca a linha de baixo, o segundo a linha do meio e o terceiro a linha principal. Seu envolvimento com as máquinas é tão intenso, tão concentrado que, como ele se lança do mixer para a picape,
Mills o DJ
parece evidentemente um componente de uma assemblage homem-máquina, um sistema que inclui público,
PA
, o aparato completo da produção de vinis, e o
Stylus
de cartucho, cuja sensibilidade ele aprimorou de forma que o cartucho produza um triplo zumbido raivoso e metálico. Não é surpreendente que quando
Mills
descreve a experiencia de fazer música num estúdio, ele está preocupado com a frustração que sente quando "a mensagem" (para
Mills
música é sempre "a mensagem", ou "comunicação") é perdida ou degradada na transmissão da mente para o
DAT
.
"O produtor tem de transferir o que ele está pensando para suas mãos e então para a máquina," ele explica. "Quanto melhor o produtor, mais clara será a imagem. É uma tradução de minhas mãos para a máquina. E é aí normalmente onde ela [a máquina], se perde." De certa forma este é um sentimento padrão, um anseio expresso por todo artista desde que os românticos começaram a lamentar a lacuna entre a inspiração e o artefato. Mas o anseio de
Mills
por uma simbiose mais próxima com seus instrumentos deriva para um desejo pela cyborguização, pela integração física. "O que eu tenho esperança", ele diz, "é de que alguém crie um sequenciador que traduza o que você está pensando para um teclado ou gerador de som. Muitas idéias ficam perdidas porque não podemos fazer com que nossas máquinas realizem exatamente o que nós pensamos."
Para uma cultura musical dominante que está acostumada a tratar álbuns como "obras", objetos invioláveis que contém algum tipo de essência artística, a concepção de
Mills
sobre música pode parecer estranha. "Depois que faz o álbum", ele diz, "você põe a idéia nas mãos do DJ e é ele quem decide remodelar essa mensagem no momento mais oportuno ou da melhor forma." Ele parece pensar a obra musical como processo, como fluxo de informação, abrindo um canal entre produtor e público dançante.
A linguagem de mensagens, comunicações e comunicados oficiais e oficiosos de
Mills
é parte da teologia que guia o tecno de
Detroit
: a estória do circuito informacional que corre do futuro para o presente, do
Claro Amanhã
dos cruzadores pesados drexciyanos, de
OVNIs
('você provavelmente verá um voando...') e dos anéis de
Saturno
, diretamente de volta para as rôtas rotas
de hoje
. É um circuito que canaliza energia através do corpo do produtor para seu estúdio, energia que posteriormente sai pelo
PA
e se distribui sobre a pista de dança.
Detroit
mesma é uma picape satélite, coletando e amplificando o futuro-potencial, transmitindo-o perpassando carros enferrujados nas ruas da cidade...
Mills
: "Para mim, [minha música é] sobre fazer as pesoas sentirem que elas estão num tempo à frente deste tempo presente. Como se você estivesse ouvindo alguém falar numa língua que você não entende, ou se encontrasse numa vizinhança desconhecida. Isso quer dizer tirar você da sua base, deixando o ouvinte desarmado."
Ao contrário de alguns outros produtores, o futuro criado por
Mills
não é um sonho em ficção científica de puro cromo. É um "verfremdungseffekt", a desorientação do potencial puro. O ataque das batidas de
Detroit
é apenas um assalto pra tirar as defesas, forçando os ouvintes a se abrirem para a mensagem.
| [
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2ght33-2 |
Da
Bauhaus
para ... a
House
:
"Eu estou tentando mostrar minha idéia de como será a vida
no século vinte e um
. A tecnologia vai moldar a maneira como pensamos. Por exemplo, à medida que as coisas ficam mais caras, o espaço se torna uma coisa rarefeita. Posso ver isso já acontecendo em
Londres
. Logo, a tecnologia vai criar espaços de outras formas. Espaços virtuais. Espaços sonoros."
O tecno de
Detroit
é arquitetura. É por isso que não há progressão narrativa, mudanças de acordes, desdobramentos temáticos, nem contraponto. Espaços sonoros, não som viajando através do tempo. "Tão poucas pessoas entendem isso", diz
Mills
, falando em minimalismo, "Como só deixar a coisa tocar..."
Os carros e edifícios se desmaterializaram em resposta à tração do futuro. "Nós estamos quase fora da fase do territorial", diz
Mills
.
Detroit
, a primeira cidade portátil. Seus habitantes a virtualizaram
muito tempo atrás
. "Isto é o que muitas pessoas costumavam fazer em
Detroit
. Nós poderíamos criar uma canção só para a ambiência, só para o local onde você mora, e deixá-la rolar
por todo o dia
. Esta não é a música que você vai eventualmente colocar num
DAT
e vender. É música habitável."
Evolução da Máquina:
É perceptível, quando se escuta
Mills
, que apesar dele pensar sua música em termos concretos (cordas "se liquefazem no corpo" como "ao ligar um aquecedor"), o som frequentemente parece ser só sinal para ele, só um veículo para a mensagem. Então tem essa mensagem um conteúdo? O inovador selo de
Detroit
Underground Resistance
(
UR
), que
Mills
fundou com
Mike Banks
, costumava emplastrar suas capas com linguagem tipo-manifesto, preparando seu público para alguma indefinida revolução sônica. Logo eu quis saber se "a mensagem" é política.
"Oh, não", diz
Mills
. "É abstrata. É o que você está tentando dizer." Bem, isso me esclareceu.
Mills
é totalmente inacessível sobre conteúdo ou inspiração para os sons de seus álbuns. Não parece haver uma clara agenda estética ou social. Mas ele tem alguns princípios organizativos pouco usuais. "Eu penso num conceito e provavelmente o ponho em algum tipo de escala de cor," ele me conta em certo momento. "Preciso de uma sensação muito clara com algum tanto de drama, então talvez eu pegue verde. Em minha mente tenho esta idéia de como soa o verde. Verde é as frequências que são mais baixas, não subsônicas, mas de médio alcance." Então ele confusamente glosa isso dizendo "é como se você pegasse um teclado e começasse do branco e fosse por todo o caminho até o negro."
A maior parte das vezes
Mills
fala de si mesmo como o originador da mensagem, usando o usual e romântico vocabulário do artista, do criador. Mas ele é um criador com uma relação peculiar com seus instrumentos. "Geralmente eu dou início numa sequência e então deixo ela tocar. Eu saio e deixo-a tocando
por cerca de vinte e quatro horas
. As máquinas flutuam.
Com o passar do tempo
a sequência muda ligeiramente. As máquinas moldam a si mesmas, dando seu próprio caráter a uma faixa. Nós fizemos muito disso com o
UR
.
Algumas vezes
nós deixamos o som rolar
por vários dias
. Ele evoluia para um estado muito fixo.
"O tecno, obviamente, é música da e sobre a tecnologia." Os produtores estão familiarizados com seu kit de estúdio e o imaginário de cabine de vôos, painéis de controle e instrumentação ("e agora...Eu aperto esse switch"), que tem desde sempre temperado samplers e títulos de canções, sinalizando sua afinidade com tecnicistas de outros tipos.
Detroit
, como o lugar imaginário onde uma velha geração de máquinas industriais está dando lugar a máquinas de informação, fluxos se acelerando e desmaterializando, é onde relações humanas com a tecnologia estão sendo reconfiguradas.
Jeff Mills
sai para o cinema e deixa as máquinas evoluirem sua sequência no estúdio, e ao fazê-lo assim faz o comentário talvez mais eloquente que nós temos de uma mudança cultural em todos os tipos de produção, artística e de outro tipo. É uma tensão que tem sido
há muito tempo
sentida na música pop, bem expressa no slogan mal intensionado de camiseta de garotada indie
de alguns anos atrás
: 'os escrotos sem cara do tecno.' (Por todo lugar outras camisetas respondiam "foda-se o
Britpop
").
Nestes dias
o ídolo de rock,
Liam Oásis da Vida
, em cada polegada o artista tradicional, solitário e romanticamente sofrendo no palco, está em combate mortal com alguma coisa distribuída, cambiante (
Mills
é
x102
,
UR
,
Axis
...) e não de todo humana.
Algumas vezes
Mills
se auto denomina '
Criador
de propósitos' e o ouvinte encontra a seguinte afirmação (não-assinada) numa capa: "só a consciência de um propósito que é maior que qualquer homem pode semear e fortificar as almas dos homens." É muito fácil identificar o criador de propósitos como o artista e o poder como
Deus
. Em
Detroit
o poder que é maior que o homem, que está semeando e fertilizando sua alma, é inorgânico, sem nome, baseado em silício.
Medo
"
Algumas vezes
quando eu penso em um ritmo", diz
Mills
, "eu penso numa máquina que está - caminhando em algum lugar, algum tipo de movimento, e eu tento vividamente criar esse tipo de progressão melódica." Tanques robôs, linhas de montagem, colonizando a imaginação, articuladas como vias permanentes de batidas pesadas bombando os corpos do público dançante. Quem origina esse ritmo? Nós ou eles? Reconstitua o processo de volta. Quem veio primeiro? Artista ou máquina? A idéia da máquina na mente do artista? O que pôs a idéia ali? Eterno retorno...
O tecno de
Detroit
é também música assustadora, assustadora precisamente por que sua implacável repetição nos lembra de nossa imersão em sistemas mecanizados, computadorizados.
Detroit
fetichiza esta relação: tome drogas, conecte seu corpo ao ritmo das máquinas - não é nada diferente do que você faz no escritório
todo dia
. Talvez você se sinta como um rato de laboratório pressionando uma alavanca por doses de endorfinas. Ao menos
às três da manhã
num galpão (warehouse, pra raves) quando embarca numa outra pastilha, você sabe que é um honesto rato de laboratório.
| [
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... |
gtpppp |
Biografia de
Fitacola
Os
Fitacola
são um grupo de amigos, que
um dia
,
em 2003
em
Coimbra
, se lembraram de formar uma banda na garagem e brincar aos músicos, imitando os ídolos que admiravam. O projecto foi continuando nesta toada de brincadeira e divertimento
até 2005
, altura em que a banda fixou a formação actual.
Desde então, aquilo que começou por ser uma brincadeira de amigos, saiu para fora da garagem. Começaram a surgir concertos e reacções, bastante positivas, ao seu desempenho.
Os
Fitacola
caracterizam-se por um som jovem. Uma atitude rebelde e inconformista perante a vida, e uma postura enérgica em palco. As letras, sempre em português, contêm sempre uma mensagem de acção, positiva, procurando combater o que consideram estar mal na sociedade, representando a juventude e uma geração que usa a voz dos
Fitacola
para provar que não é a tal «geração rasca», tendo objectivos, valor e vontade de agir e mudar o que está mal.
Esta característica de humildade e carisma da banda explica a grande popularidade que a banda atinge entre as camadas mais jovens e faixas etárias estudantes pré-universitárias. A banda é tida como um modelo e exemplo de atitude saudável e activa perante a vida por parte de um número cada vez maior de fãs da banda, que nela se revê e nas suas letras, músicas e atitude.
Concertos de maior destaque:
Em dois anos
a banda já superou a marca dos
75
concertos, entre os quais se destacam:
Cercal Rock 9ª edição.
Festival Acção Directa 2005
(
Açores
Ilha Terceira
)
Recepção ao Caloiro 2005 (Covilhã) com
Squeeze theeze pleeze
e
Fonzie
Queima das Fitas de Coimbra 2006
com
Hands on Approach
e
Boss AC
Semana Académica da Universidade de Aveiro | Semana Académica da Universidade de Aveiro| Semana Académica da Universidade de Aveiro
(
2006
) com
Pluto
e
Expensive Soul
Semana Académica 2006
(
Castelo Branco
) com
Tara Perdida
Hardclub
(
V.N. Gaia
.) - com
Twenty Toon
Recepção ao Caloiro 2006
(
IPC
)
Coimbra
com
Peste & Sida
e
Asher Lane
(
Alemanha
)
RockOff 2006 VI edição
(
Cantanhede
)
Março Jovem 2006
(C.M. Seixal) com
Triplet
Vans/Eastpak Club Tour 2007
(
Almada
) com
SK6
,
Humble
,
Devil in Me
,
Tara Perdida
e
Strike Anywhere
Sesimbra Xtream Beach Fest 2007
(
Sesimbra
)
Discografia:
Os
Fitacola
contam para já, apenas com um
EP
, edição de autor, com
6
musicas, intitulado «
Rebobina e Pensa
».
Notícias recentes/projectos:
Neste nomento
os
Fitacola
estiveram
três semanas
em estúdio a gravar aquele que será o seu primeiro álbum. Será composto por
12
temas e o seu lançamento está previsto
para os primeiros meses de 2008
.
Elementos:
Diogo
Guitarra
Libelinha
Baixo/coros
Besugo
Guitarra
Xico
Bateria/coros
| [
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Ytr433 |
Ronaldo
volta a treinar com bola no
Milan
Fenômeno
não participava de um coletivo
desde novembro
. Jogador se recupera de lesão
Das agências de notícias
Dubai
,
Emirados Árabes
Depois de ser cotado para vestir a camisa do
Flamengo
, o
Fenômeno
parece, se não satisfeito, pelo menos conformado em retornar ao grupo do
Milan
.
Após longo período
se recuperando de uma lesão,
Ronaldo
calçou as chuteiras e voltou a treinar com bola, o que não fazia
desde novembro
.
O atacante segue em recuperação.
Nesta sexta-feira
, participou da maior parte das atividades, em
Dubai
, nos
Emirados Árabes
. O técnico dividiu o elenco em dois times com
11
jogadores atuando na metade do gramado do estádio
Al Maktoum
.
Em seguida, quando começou a movimentação com bola,
Ronaldo
seguiu correndo. Aí quem se destacou - negativamente, de acordo com o jornal italiano "
La Gazzetta dello Sport
" - foi o goleiro
Dida
.
O brasileiro voltou a não passar segurança e no treino em campo reduzido seu time foi derrotado por
6 a 0
. Três dos gols que levou eram defensáveis, segundo o jornal italiano.
Alessandro Nesta
saiu em defesa do companheiro.
- Poderíamos ter vencido o
Inter
(
2 a 1
, o segundo gol em falha de
Dida
). Não podemos ficar pressionando o
Dida
. Estaremos ao seu lado e considero que ele está se portando de maneira positiva na concentração - explica.
| [
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relkj7666 |
ARQUITETURA E HISTÓRIA
A partir do
Forte de Santiago
, na
Ponta do Calabouço
, a evolução do conjunto arquitetônico do
Museu
acompanhou a trajetória urbana da cidade do
Rio de Janeiro
. À fortificação inicial veio se juntar a
Casa do Trem
, destinada à guarda do "trem de artilharia", conjunto de apetrechos bélicos usados na defesa da cidade, e,
mais tarde
, o
Arsenal de Guerra
.
No início do século XX
o
Arsenal
é transferido para a
Ponta do Caju
, abrindo o caminho para a adaptação do conjunto para suas novas funções :
Pavilhão das Grandes Indústrias
da "
Exposição Internacional de 1922
".
Por determinação do
Presidente Epitácio Pessoa
, o
Pavilhão
abrigou, em duas de suas salas, o núcleo inicial do
Museu Histórico Nacional
. Com o encerramento da
Exposição
, o
Museu
veio ocupando progressivamente toda a área.
PATROCINADORES
Ministério da Cultura
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
Associação dos Amigos do Museu Histórico Nacional
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
Caixa Econômica Federal
Holcim (Brasil) S. A.
Vitae
--
Recuperar a arquitetura original, ampliar espaços destinados ao público, aprimorar os serviços oferecidos aos visitantes, democratizar o acesso dos mais diversos segmentos da sociedade e viabilizar uma circulação e um percurso adequados ao discurso museográfico: essas foram as diretrizes que nortearam o "
Projeto de Restauração e Modernização do Museu Histórico Nacional 2003 - 2006
", concluído
em 19 de maio de 2006
.
A primeira fase das obras, totalmente financiada pelo
Ministério da Cultura
num total de
R$ 1.980.000,00
, foi inaugurada
dia 9 de setembro de 2004
, com a presença do
Primeiro Ministro de Portugal
|
Primeiro Ministro
de
Portugal
,
Pedro Santana Lopes
, da
Ministra da Cultura de Portugal
|
Ministra da Cultura de Portugal
,
Maria João Bustorff Silva
, e do
Ministro de Estado da Cultura
,
Gilberto Passos Gil Moreira
, já que
nesta data
foi aberta a exposição internacional «
Artes Tradicionais de Portugal
», promovida pela
Fundação Gulbenkian.
Iniciada
em dezembro de 2003
, a primeira fase das obras incluiu a recuperação de uma área de
1.500 metros quadrados
que estavam completamente sem uso
há mais de trinta anos
e apresentavam um avançado processo de deteriorização. Nesse local, foram instalados os novos acessos ao circuito de exposições (escadas rolantes e elevador para portadores de necessidades especiais) e os espaços para atendimento ao público - guarda volumes, cafeteria, sanitários públicos e bilheteria - além de áreas para serviços internos.
A partir da assinatura de contrato entre o
Museu Histórico Nacional
, a
Associação dos Amigos do Museu Histórico Nacional
e a
Caixa Econômica Federal
realizada
no dia 26 de novembro de 2004
, foram liberados recursos no valor de
R$ 1.900.000,00
para o início da segunda fase das obras ainda
em dezembro de 2005
.
Nesse etapa foi desmontada a laje construída
em 1940
, quando parte do conjunto arquitetônico era utilizada pelo
Ministério da Agricultura
, para abrigar um canteiro de experiências agrícolas e que gerava no pavimento térreo uma área de insalubridade que comprometia a integridade física do acervo sob a guarda do
Museu
.
Essa obra foi fundamental para resgatar a arquitetura original
de 1922
, devolvendo ao público um belíssimo pátio interno interligado aos
Pátios da Minerva
e dos
Canhões
e um espaço nobre para exposições, além de permitir que parte da
Reserva Técnica
seja vista, sem prejudicar a segurança do acervo. Com uma área de
2.000 metros
, o novo pátio recebeu o nome de
Gustavo Barroso
, numa homenagem ao fundador e primeiro diretor do Museu Histórico Nacional
| diretor do Museu Histórico Nacional
.
Com o patrocínio da
HOLCIM (Brasil) S. A .
foram recuperados
1.000 metros quadrados
de galerias voltadas para o
Pátio Gustavo Barroso
para a implantação da exposição permanente "
Do Móvel Ao Automóvel: Transitando pela História
", reunindo a preciosa coleção de meios de transportes terrestres do
Museu Histórico Nacional
em sua totalidade, a partir de restauração viabilizada graças a
Vitae - Apoio à Cultura, Educação e Promoção Social
.
Com recursos do
Ministério da Cultura
foram concluidas as obras da terceira fase do «
Projeto de Restauração e Modernização do Museu Histórico Nacional 2003 - 2006
" com o objetivo de ampliar o auditório, visando dobrar a capacidade de atendimento de cem para duzentos lugares e, possibilitando a um maior número de interessados o acesso aos cursos e seminários promovidos pelo
Museu
. Ainda com recursos do
Ministério da Cultura
, o
Pátio dos Canhões
foi reformado, contando com o apoio do
Arsenal de Guerra do Rio | Arsenal de Guerra do Rio
e do
Instituto Benjamin Constant
para a confecção das novas legendas das peças expostas, inclusive em braille.
Com o patrocínio do
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
, essa etapa incluiu, ainda, a recuperação de três amplas galerias de exposição permanente situadas no segundo andar, além da realização de obras estruturais no terceiro andar, onde funciona a
Administração
.
As galerias revitalizadas com os recursos do
BNDES
abrigam o multivídeo panorâmico "
A Trajetória de um museu
", que apresenta o
Museu Histórico Nacional
ao visitante, e a exposição "
Oreretama
", que abre pela primeira vez no
Museu Histórico Nacional
um espaço permanente dedicado ao índio brasileiro. "
Oreretama
» apresenta também uma ambientação representando uma gruta do sítio arqueológico da
Serra da Capivara
e os sambaquis do litoral, incluindo objetos retirados de sítios do
Estado do Rio de Janeiro
.
Com o "
Projeto de Restauração e Modernização do Museu Histórico Nacional 2003 - 2006
", o
Museu Histórico Nacional
segue a tendência mundial dos grandes museus nacionais de se adequarem às necessidades impostas pelo aumento do fluxo de visitantes e à valorização das instituições culturais
nesse novo milênio
.
A solenidade do término das obras do "
Projeto de Restauração e Modernização do Museu Histórico Nacional 2003 - 2006
" foi realizada
no dia 19 de maio de 2006
, no âmbito das comemorações
do Dia Internacional de Museus | do Dia Internacional de Museus
, com a presença do
Ministro de Estado da Cultura
,
Gilberto Passos Gil Moreira
.
ARQUIVO HISTÓRICO
O
Museu Histórico Nacional
oferece ao público
Arquivo Histórico
, com
50.000
documentos iconográficos e manuscritos sobre a história do
Brasil
, e
Biblioteca
com
57.000
obras versando sobre história, história da arte, museologia, heraldica, numismática, genealogia e moda.
Oferece, ainda, o
Centro de Referência Luso-Brasileiro
, ligado ao
Arquivo Histórico
e criado
em 1998
, no âmbito das comemorações dos
500 anos
da chegada dos portugueses ao
Brasil
.
O
Arquivo
pode ser consultado
de segunda a sexta-feira
,
das 10h às 16h30m
, mediante agendamento prévio através do telefone (0xx21) 2550-9268.
O
Museu
mantém, ainda,
Arquivo Institucional
sobre a trajetória do próprio
Museu Histórico Nacional
, com documentos, fotografias, impressos, recortes de jornal, etc. As fotos utilizadas para ilustrar o item "
ARQUITETURA E HISTÓRIA
" integram este acervo. O
Arquivo Institucional
é aberto a consultas, mediante agendamento prévio através do telefone 21-25509265.
Retrato do
Imperador D. Pedro II
Fotografia
Francisco Pesce
,
1888
O
Arquivo Histórico
reúne importantes documentos manuscritos e iconográficos referentes à nossa história e divididos em coleções, como a "
Coleção Família Imperial
", compreendendo
1.445
documentos de diversas procedências, relacionados aos
Imperadores D. Pedro I
e
D. Pedro II
e respectivos familiares. São gravuras e álbuns de fotografias com retratos da realeza e nobreza da época, vistas de cidades brasileiras e estrangeiras e documentos pessoais, como os exercícios de caligrafia de
D. Pedro II
; de correspondência entre membros da família imperial e outros, além de homenagens como poesias, sonetos, hinos ou músicas dedicados a membros da família.
Ântonio Carlos Gomes
Il
Guarany
Folha de rosto da
Partitura
O
Arquivo Histórico
preserva, ainda, importante coleção referente ao compositor brasileiro
Ântonio Carlos Gomes
, que inclui o primeiro volume da partitura original de um de seus primeiros trabalhos, a ópera "
Joana de Flandres
". Formada a partir de diversas doações, a coleção reúne
216
documentos, entre desenhos de cenários, cartas, fotografias, partituras originais e libretos de algumas obras como "
Condor
", "
Morena
" e "
Colombo
", preciosos para uma melhor compreensão do trabalho de
Carlos Gomes
, cuja obra de maior sucesso, "
O Guarani
", estreou no
Teatro Scala de Milão
|
Teatro Scala de Milão
em 1870
, sendo encenada em diversos países.
A
Coleção Eusébio de Queirós
engloba
350
documentos, sobretudo correspondências trocadas entre políticos e seus familiares, versando, principalmente, sobre a repressão ao tráfico negreiro e temas políticos e judiciais. Magistrado e político brasileiro, nascido em
Angola
em 1812
,
Eusébio de Queirós Coutinho Matoso da Câmara
exerceu o cargo de
Ministro da Justiça
de 1848 a 1852
, destacando-se como autor de duas importantes leis do
Império
: a
lei 556
, que criava o
Código Comercial
, e o
decreto 708
, que estabelecia medidas para a repressão ao tráfico de africanos.
Missão Salesiana
em
Mato Grosso
,
1908
Meninas bororos freqüentam a escola
Documentação pessoal, álbuns de fotografias e documentos cartográficos compõem a "
Coleção Miguel Calmon Du Pin e Almeida
", engenheiro e político brasileiro, que ocupou o cargo de
Ministro de Viação e Obras Públicas
no
Governo Afonso Pena
,
entre 1906 e 1909
e de
Ministro da Agricultura
no mandato de
Artur Bernardes
,
de 1922 a 1926
.
As fotografias documentam as principais obras que significaram a incorporação dos ideais de progresso e modernização pelo
Brasil
no começo do século XX
, assim como as diversas áreas indígenas encontradas ao longo deste trabalho.
Aquarelas de
Sophia Jobim
para Ilustrar suas aulas de indumentária
A moda também faz parte do
Arquivo Histórico
. Quem pesquisa a indumentária civil e militar não pode deixar de consultar as coleções "
Sophia Jobim Magno de Carvalho
" e "
Uniformes Militares
".
Museóloga e desenhista,
Sophia Jobim
lecionava na
Escola Nacional de Belas Artes
a disciplina de
Indumentária Histórica
.
Através de suas constantes viagens pelo mundo, colecionou um vasto acervo de trajes típicos, fundando,
em 1960
, o primeiro
Museu de Indumentária Histórica e Antigüidades da América Latina
|
Museu de Indumentária Histórica e Antigüidades
da
América Latina
em sua residência no bairro carioca de
Santa Teresa
.
Toda a coleção
Sophia Jobim
é doada ao
Museu
após a sua morte. Os trajes típicos são preservados na
Reserva Técnica
, os livros na
Biblioteca
e os
1.124
documentos textuais e iconográficos, inclusive livros de receitas de pratos regionais e álbuns de fotografia de eventos relacionados à trajetória da titular da coleção, estão à disposição do pesquisador no
Arquivo Histórico
.
Já a coleção de uniformes militares é composta por
836
documentos iconográficos, dos quais destacam-se
228
aquarelas de autoria de
José Wasth Rodrigues
; álbuns de aquarelas,
do século XVIII
, de uniformes militares
do período colonial
e de desenhos copiados de modelos de uniformes existentes no
Arquivo Histórico e Colonial de Lisboa
|
Arquivo Histórico e Colonial
de
Lisboa
. O valor documental destas obras reside na constituição dos traços da indumentária militar brasileira,
do período colonial ao republicano
, tornando-se fonte de consulta obrigatória com relação a este tema.
Juan Gutierrez
Documentou a
Revolta da Armada
(
1893/94
)
Cerca de 10.200
fotografias, entre as quais os primeiros processos fotográficos, como daguerreótipos e ambrotipos, integram o acervo do
Arquivo Histórico
. São fotografias de
Marc Ferrez
e
Augusto Malta
, além de cartões postais de diversas épocas. Destaque para a "
Coleção Juan Gutierrez
". Fotógrafo espanhol,
Gutierrez
atuou no
Rio de Janeiro
entre 1880 e 1890
. Documentou a
Revolta da Armada
(
1893/94
), retratando as fortificações, os soldados e o armamento utilizado sem, contudo, apresentar cenas do embate. Suas lentes captaram, ainda, vistas de vários bairros da antiga cidade do
Rio de Janeiro
, reproduzindo sua arquitetura e seu cotidiano. Conheça toda a coleção de fotografias de
Gutierrez
em nossa
Galeria Virtual
. Desenhos, gravuras e aquarelas de importantes artistas como
Rugendas
,
Debret
,
Norfini
e
Reis Carvalho
, retratam cidades e paisagens brasileiras
ao longo dos séculos XIX e XX
, estando também preservados no
Arquivo Histórico
.
Nair de Teffé
Dita
Rian
(
1886-1981
)
Caricatura
Outra curiosa coleção pertencente ao acervo do
Museu
é formada por
26
caricaturas de
Rian
, entre as quais as dos
Presidentes Juscelino Kubitsckek
,
Eurico Gaspar Dutra
,
João Café Filho
e
Humberto de Alencar Castelo Branco
. Os traços irônicos de
Rian
fixaram, sobretudo, personalidades políticas e figuras da alta sociedade.
Rian
, na realidade
Nair de Teffé
, já era conhecida caricaturista ao casar-se,
em 1913
, com o então
Presidente da República
,
Hermes da Fonseca
. Com trabalhos publicados em revistas nacionais e estrangeiras, como o
Semanário Fon-Fon
,
Le Rire
e a
Gazeta de Notícias
, escandalizou
muitas vezes
o
Palácio do Catete
com suas atitudes excêntricas.
| [
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DR-PT5 |
MINISTÉRIOS DO AMBIENTE, DO ORDENAMENTO DO TERRITÓRIO E DO DESENVOLVIMENTO REGIONAL
E
DA AGRICULTURA, DO DESENVOLVIMENTO RURAL E DAS PESCAS
.
Portaria n.º 1/2008
de 2 de Janeiro
Com fundamento no disposto na
alínea a) do artigo 40.º
e no
n.º 1 do artigo 118.º
do
Decreto-Lei n.º 202/2004
,
de 18 de Agosto
, com as alterações introduzidas pelo
Decreto-Lei n.º 201/2005
,
de 24 de Novembro
;
Ouvido o
Conselho Cinegético Municipal de Montemor-o-Novo
|
Conselho Cinegético Municipal
de
Montemor-o-Novo
:
Manda o
Governo
, pelos
Ministros do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
e
da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas
, o seguinte:
1.º Pela presente portaria é concessionada,
pelo período de 12 anos | pelo período de 12 anos
, à
Associação de Caçadores da Ajuda | Associação de Caçadores da Ajuda
, com o número de identificação fiscal 502302569 e sede na
Rua de D. Vasco
, 7, 7050
Montemor-o-Novo
, a zona de caça associativa da
Herdade da Casa Branca
e outras (
processo n.º 4799-DGRF
), englobando vários prédios rústicos cujos limites constam da planta anexa à presente portaria e que dela faz parte integrante, sitos na freguesia de
Cabrela
, município de
Montemor-o-Novo
, com a área de
545 ha
.
2.º A concessão de alguns terrenos incluídos em áreas classificadas poderá terminar, sem direito a indemnização, sempre que sejam introduzidas novas condicionantes por planos especiais de ordenamento do território ou obtidos dados científicos que comprovem a incompatibilidade da actividade cinegética com a conservação da natureza, até um máximo de
10 %
da área total da zona de caça.
3.º A zona de caça concessionada pela presente portaria produz efeitos relativamente a terceiros com a instalação da respectiva sinalização.
Pelo
Ministro do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional
,
Humberto Delgado Ubach Chaves Rosa
,
Secretário de Estado do Ambiente
,
em 23 de Novembro de 2007
. --- O
Ministro da Agricultura, do Desenvolvimento Rural e das Pescas
,
Jaime de Jesus Lopes Silva
,
em 30 de Novembro de 2007
.
| [
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aa33715 |
O
Pai Natal
,
Artur Jorge
e o
BCP
O
Governo
russo proibiu uma campanha de uma cadeia de distribuição, que tinha por lema "
O Pai Natal não existe
". O argumento é que tal ideia era nefasta para as criancinhas russas. Conclusão: o
Governo
russo acredita no
Pai Natal
e quer que as criancinhas também acreditem.
Artur Jorge
foi, entretanto, escolhido para seleccionador do Irão, equipa que se encontrava
há seis meses
sem treinador. Tendo em atenção o que se tem passado
nos últimos anos
na carreira do ex-treinador do FC Porto, que nunca termina os contratos e acaba sempre despedido com uma choruda indemnização, bem se pode dizer que a
Federação Iraniana de Futebol
acredita no
Pai Natal
. E
Artur Jorge
também, claro.
Por outro lado, a escolha do
presidente da Caixa Geral de Depósitos | presidente da Caixa Geral de Depósitos
para presidir ao
BCP
só pode igualmente ser obra do
Pai Natal
.
Carlos Santos Ferreira
é visto como o homem que vai trazer a concórdia para um banco que não vive em paz há muito
- mesmo que o vá fazer à custa do banco do
Estado
.
Por isso, o
ministro das Finanças
, que autorizou esta mudança sem pestanejar, também deve acreditar no
Pai Natal
. Não lhe passa pela cabeça que
Santos Ferreira
, com o que sabe da
Caixa
, fique em excelente posição para ganhar quota de mercado ao banco público, que vai
este ano
dar
mais de 800 milhões
de lucros, dos quais
400 milhões
vão direitinhos para os cofres do
Estado
a título de
IRC
. Se
Santos Ferreira
tiver sucesso no
BCP
, quem vai sofrer é a
Caixa
- e, por tabela, todos nós, contribuintes. Porque quanto menos o
Estado
receber de dividendos das empresas públicas, mais o
Estado
será tentado a vir buscar-nos dinheiro aos bolsos.
Por outras palavras, os únicos que não têm razões para acreditar no
Pai Natal
são os contribuintes portugueses.
Nicolau Santos
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New York, New York
|
New York
,
New York
No mês passado
, o
presidente da Câmara de Nova Iorque
|
presidente da Câmara
de
Nova Iorque
| presidente da Câmara de Nova Iorque
,
Michael Bloomberg
, decidiu entregar o cartão de militante do
Partido Conservador
. O gesto foi entendido como o arregaçar de mangas para entrar na corrida presidencial numa candidatura independente.
E se ele avançar, as mais recentes sondagens indicam que o boletim de voto das eleições
de 2008
podem ter três rostos ligados à "
Big Apple
":
Hillary Clinton
, senadora pelo estado de
Nova Iorque
,
Rudy Giuliani
, o republicano que já foi
presidente da Câmara | presidente da Câmara
da cidade, e
Michael Bloomberg
, o homem que sucedeu a
Giuliani
no cargo.
Este cenário deverá irritar solenemente a classe política de cidades como
Boston
,
St. Louis
,
Chicago
, ou
Los Angeles
, que nunca viram com agrado a intromissão de políticos nova-iorquinos nos assuntos presidenciais. Aliás, os últimos sete presidentes eleitos vieram de regiões no
Sul
ou do
Oeste
, e ser oriundo do
Nordeste
americano passou a ser quase considerado uma garantia de derrota eleitoral (que o digam
Dukakis
ou
Kerry
).
Como recordava um artigo num recente número da revista
New Yorker
,
Nova Iorque
já não via uma coisa assim
desde 1951
, quando, no campeonato de basebol, as equipas de
Brooklin Dodgers
e dos
New York Giants
disputaram o "play off" para decidir quem iria à final com os
New York Yankees
(que acabaram vencedores da "
World Séries
").
Para uma eventual candidatura,
Bloomberg
nem sequer está preocupado com o facto de arrancar tarde, numas eleições em que as primárias servem para angariar fundos (em anteriores eleições, o também magnata dos "media" já gastou
mais de 160 milhões de dólares
do seu bolso, e tem muitos mais para gastar). Além disso,
Bloomberg
conta com o efeito de subida de popularidade dos independentes nos
EUA
. Os estudos dizem que
cerca de 40%
dos eleitores não tem simpatia por nenhum dos partidos. E este dado torna o estatuto de independente muito atraente -- um fenómeno semelhante ao verificado com a candidatura de
Manuel Alegre
, nas últimas presidenciais portuguesas, ou com aquilo que esperam conseguir
Helena Roseta
e
Carmona Rodrigues
nas próximas eleições intercalares para a
Câmara de Lisboa | Câmara de Lisboa
.
| [
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A desforra de
Granada
Granada
não enfrentou os
Reis Católicos
por razões de fé ou de religião. Pelo contrário, na corte de
Boabdil
conviviam muçulmanos, cristãos e judeus, e dessa convivência se fez a que era então, talvez, a mais brilhante civilização do seu tempo, no domínio da arquitectura, da física, da medicina, da matemática, da astrologia. Mas
Granada
foi sitiada e conquistada por isso mesmo e também pelo território e pela beleza demasiadamente humana do
Alhambra
. Quando
Granada
caiu e a reconquista cristã se impôs então a toda a
Península
, os dois reinos católicos,
Portugal
e
Espanha
, partiram à conquista do mundo e tornaram-se
Impérios | Impérios
marítimos; do
Novo Mundo
e
África
ao extremo da
Ásia
. Inversamente, quando os vencidos de
Granada
se retiraram para lá do
Estreito
, de onde tinham vindo
séculos antes
, nunca mais a civilização árabe e muçulmana recuperou sombra sequer do seu antigo esplendor e liderança. Por isso é que
o ano de 1492
(também o da descoberta da
América
, por
Colombo
) é um marco da história universal e um símbolo de derrota e descalabro que nunca mais foi esquecido e ultrapassado pelos crentes muçulmanos.
Por mais inverosímil que nos possa parecer,
mais de cinco séculos passados
e
quase quarenta anos depois do homem ter ido à lua, estamos perante uma nova guerra religiosa global, que é também uma guerra de civilizações. Quem disser que ela não existe, ou é ignorante ou diplomata --- em qualquer dos casos, perigoso para os tempos que correm. Estamos perante uma espécie de
Cruzadas
ao contrário, que o
Islão
lançou contra os «não crentes» --- sejam judeus, cristãos ou ateus. As
Twin Towers
, o metro de
Londres
, a estação de
Atocha
em
Madrid
ou a histeria lançada contra os cartonistas dinamarqueses e contra a
Dinamarca
, são formas modernas de cruzadas travadas em nome de
Alá
(o
Misericordioso
...) contra os valores em que nós, no
Ocidente
, acreditamos.
Cinco séculos passados, o
Islão
tira a sua desforra de
Granada
, através das suas duas únicas e demolidoras armas: o petróleo e o terror.
Sim, eu sei: não é --- julga-se --- todo o
Islão
. Mas é o que conta, o que lidera os crentes, o que se escuta na rua e nos jornais, o que doutrina os terroristas, o que prepara a arma nuclear. Em todo o mundo muçulmano houve apenas um jornal, na
Jordânia
, que ousou escrever que pior que as caricaturas «blasfemas» para o
Islão
eram os terroristas blasfemos. Mas
no dia seguinte
o jornal pediu desculpas pelo que escrevera e o director foi despedido. É verdade também que a rua é incendiada a mando da
Síria
, do
Irão
ou da
Al-Qaeda
, e que há sempre uns palestinianos desocupados para dispararem rajadas de metralhadora para o ar com cara feroz e multidões em estado de histeria induzida, para queimar
Embaixadas
e bandeiras e ameaçar de morte todos os ocidentais a vista. É possível até que o grosso dos muçulmanos não pense assim, que não acredite numa leitura literal e medieval do
Corão
e que não se reveja na intolerância nem no terror em nome de
Deus
que o clero radical ensina nas escolas corânicas e prega nas mesquitas. Mas, se assim é, não os escutamos porque eles têm medo: o terror começa dentro dos seus próprios países e sociedades.
O medo é a outra face de uma moeda chamada liberdade. Onde não há liberdade, há medo; onde há medo, não há liberdade.
É justamente isso que
hoje
nos distingue do
Islão
: nós temos a liberdade, eles têm o medo como sistema endémico de vida e como arma de arremesso contra «os infiéis».
[...]
E é pelo medo, também, que eles esperam ganhar esta batalha contra o
Ocidente
, destruindo o nosso amor à liberdade. Esperam que, aos poucos, sejamos obrigados a chegar ao ponto crucial em que a escolha terá de ser entre a vida ou o nosso modo de vida --- a liberdade, a democracia, a tolerância. Sem que isso possa representar qualquer desculpa para os autores materiais, as escutas telefónicas indiscriminadas, as prisões preventivas sem advogado, os interrogatórios secretos em prisões clandestinas, as leis de excepção, a tortura e
Guantanamo
, tudo isso, tem a autoria moral dos radicais islâmicos e obedece a um plano concertado de implosão das democracias.
É preciso ser muito forte, e preciso perceber, como
em 1939
, que a liberdade é o mais absoluto dos nossos bens e o maior valor da nossa cultura e modo de vida, para ser capaz de lhes resistir. Mas é essencial resistir, porque a alternativa é o regresso
à Idade Media
e a barbárie. É por isso que o gesto dos
Comuns
, rejeitando a legislação de segurança interna proposta por
Tony Blair
, porque ela violava direitos e princípios em que se funda a democracia inglesa, é, apesar das consequências daí resultantes, o sinal de uma grande nação que não se rende nem ajoelha.
Infelizmente, não foi o nosso caso. Pela mão do
ministro Freitas do Amaral
, e sem necessidade alguma,
Portugal
foi enxovalhado, coberto de vergonha e de cobardia, por um dos mais tristes textos políticos que já alguém escreveu. Devo dizer que não me espanta por ai além: a nossa «diplomacia» não tem feito mais nada
nos últimos 25 anos | nos últimos 25 anos
que não rastejar perante os poderosos, em cada cena e em cada tempo:
Angola
,
Indonésia
(com a notável excepção de
Guterres
e
Sampaio
),
Estados Unidos
e, agora, perante os países islâmicos. [...]
Miguel Sousa Tavares
-
Jornal "Expresso"
| Jornal "
Expresso
"
-
11.02.2006
| [
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